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terça-feira, 25 de maio de 2010

# 33

22 de maio de 2010 – Sala Paraíso (Teatro Carlos Gomes) 15h/18h
dan marins, diogo liberano e natássia vello.

primeiro ensaio no espaço onde será nossa primeira temporada. tempo para apropriação, para descobrir como o tamanho da peça ali dentro, a intensidade das vozes, para redimensionar, fazer caber, tornar-se parte daquele lugar.

o ensaio começou com uma passada do espetáculo, que dura cerca de 35 minutos. com alguns acréscimos que acrecentaremos, acredito que a encenação ficará com uns 40 minutos de duração. mas não acrescentaremos nada até estarmos minimamente de volta ao ponto em que havíamos parado.

a passado foi boa, os meninos lembraram de quase tudo, faltando alguns movimentos e às vezes engasgando alguma fala. ficou clara a necessidade de transferir para outros lugares certos momentos da peça. após o passadão, ajustamos algumas coisas no espaço e investimos na busca de intenções e estados que precisam ser ainda mais desbravados.

sobre ELE, pedi ao dan que aumentasse o esforço da memória, do fazer lembrar. sobre ELA, pedi à natássia que investisse num movimento que antes de ser feito para atinger ELE, acaba por atingir ela própria. AFETO. num mesmo gesto.

o final do espetáculo definitivamente não funciona. para o ensaio seguinte, o qual os atores estarão sem mim, prepararei algumas indicações que lhes sirvam de mote para o desenvolvimento de um novo desfecho. que difícil tudo isso. deliciosamente difícil. quero fazer! quero ver!

# 32

08 de maio de 2010 – UNIRIO – 15h/18h
dan marins, diogo liberano e natássia vello.

ensaio importantíssimo para percebermos como muito havia sido esquecido. após este ensaio, foi preciso assistir à filmagem com intuito de relembrar marcas. um esforço desmedido para não mudar tudo aquilo que não acontecia porque apenas não era lembrado.

depois de meses afastado da prática desta peça, ela hoje me parece ser outra coisa que não apenas o que é. mas tenho me privado das mudanças. quero ver primeiro pelo outro e não por mim. olhar viciado. atestar pelo outro alguma leitura sobre este trabalho. já já.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não - Lugar

O PISCAR ENTRE VIDA ENTRE MORTE

Os braços dele apertam seu pescoço, ela não consegue se soltar, o ar começa a escapar do seu pulmão, percebe sua vida se esvaindo e a única coisa que lhe resta é o milésimo de segundos entre o olho aberto e o olho fechado, entre a vida e a morte. Ainda não está morta, mas não há mais possibilidade de estar viva, ela está em suspensão, uma dádiva ou tormento, na qual vai refazer todos os seus passos até chegar ali, vai refazer sua vida, porém a sua dor. E esse momento de sobrevida ganha uma dimensão outra, não vistas pelos olhos vivos, uma dimensão que só pode ser sentida, percebida ou vivenciada por quem está nesse lugar do entre, entre a vida e a morte. Aqui o segundo vira uma eternidade de segundos, e neles ela vai reviver infinitamente a sua trajetória de morte, tentando recordar os seus passos, em silêncio, pois as palavras confundem e distorcem a realidade, e a única coisa que resta é a lembrança dos movimentos, sublinhado pelo o único som que importa: a música que nascia dos seus próprios corpos. Esse momento ecoa por toda a eternidade, numa busca da verdade, numa busca de entender onde ela perdeu o controle de sua vida, mas como nessa dimensão de sobrevida não há verdade nem mentira, ela padece. Esse milésimo de segundos é o purgatório, onde numa trajetória infinita e circular ela vai reviver a sua morte, até que finalmente seus olhos fechem.