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sábado, 17 de agosto de 2013

12 | A tertúlia pós-tortura.

ELA Talvez fosse bom recomeçar, mas tomando em conta o trabalho já realizado.
Não é o caso de atirar tudo pela janela.
Às vezes é tão fácil esquecer cada um dos detalhes, cada uma das intensidades, por isso acho que cada momento que repetimos se transforma numa verdadeira descoberta.
Temos que procurar recordar cada detalhe dos acontecimentos com a mesma intensidade original, você não acha?
Primeiro transformamos experiências vividas em conceitos e com os conceitos nos afastamos das intensidades.
O problema dos conceitos é o esquecimento das intensidades, o esquecimento da experiência da vida, você não acha?
Falamos de coisas, de palavras que aludem a outras palavras, temos que voltar para as intensidades,
Voltar a recordar tudo segundo a segundo com nossos corpos
que não se esqueça de nada,
nada de nada,

ELE Me falta ar
ELA Quanto?
ELE Quanto quê?
ELA Quanto de falta, um litro, dois litros, você sempre foi muito preciso, por que não há de sê-lo agora?
Temos que reconstruir cada detalhe, cada instante,
senão se esquece tudo
é tão fácil esquecer...
ELE Pára que eu me sufoco, poderia te bater me falta ar

[...]

ELE Tudo explode
A desesperança não é um diálogo triste, mas sim o estalo de um Silêncio ensurdecedor.
Isso que hoje eu sinto por você
Recorte de nossas caras... de nossos corpos.
Teu corpo aqui, o que você foi, o que você é
hoje aqui, o que te dizer, meu Deus, o que posso te dizer?
Te pedir desculpas por tudo?
Não, não posso te pedir desculpas, você não permitiria
continua sendo a mais forte!
Mas por quê?
O que tem o seu corpo que hoje você ainda é a mesma?
Com a mesma força que ontem
e eu tremendo na sua frente
sempre tremendo,
Isso que eu toco que é você e não é você
primeiro foram os corpos
até onde chegaram
os vazios... sem espaços
agora a calma das intensidades
é o vazio que não tolero...
“o horror era saber que a intensidade podia terminar de repente”, se lembra?
Aquilo...
Isto, sem outro nome que ISTO tão concreto
onde começo, onde termino
onde você começa, onde você termina

[...]

ELA Pensei que você me conhecia. Esse foi seu grande erro. Você pensava que tinha chegado a me conhecer e agora sofre porque não sabe com quem esteve tanto tempo, tantas horas e aí é onde seu pequeno tormento te fala de tantas horas equivocadas
Tanto trabalho malfeito, algo que não estava previsto
você pensava que a intensidade faria desvendar até o mais intimo do que mais se preserva na intensidade, sempre alguma coisa fica protegida
o indivisível no momento da gritaria e dali essa intimidade se agiganta porque o íntimo se converte no último baluarte para se preservar.

Ali se joga a SOBREVIVÊNCIA

[...]

ELE Por que sempre as evasões ganhando em teu Silêncio?
E queria que você gritasse todas as verdades
que me olhasse mais em teu Silêncio...
Se você pudesse me insultar, quebrar a calma, perder o controle um momento, apenas...
se você pudesse falar de nossa história, de toda nossa história... da verdade da nossa história compartilhada.
Você não falou antes e não quer dizer meu nome agora
quem sou eu então?
Você me olha nos olhos como antes me olhava quando eu te dizia a pergunta que nunca me respondia.
Cheguei a te pedir que inventasse nomes que eu só necessitava um nome inventado só para que você dissesse algo para ter um nome entre você e eu alguma coisa que nos pertencesse o nome era tua entrega qualquer invento era legítimo e o importante chegou a ser que você jogasse de ceder, nem sequer eu pedia que cedesses... que brincasse apenas...
só um invento uma brincadeira entre os dois cansei de te pedir realidades
mas você nem sequer me concedeu o “jogo” tua ética não permitiu não te peço muito... apenas que me tenha como parte da sua história porque foi importante, não?
Nosso caso foi?...
Por que você não me denuncia filha da puta?
Confessa meu amorzinho grita bem alto para que todos ouçam quem sou eu, grita alto que eu te fiz
você é sempre a mesma merda de antes e agora
te peço que diga a verdade
que conte o que eu te fiz
necessito isso para mim
é o meu triunfo

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