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sábado, 17 de agosto de 2013

13 | A tertúlia pós-sexo.

ELE Quantas vezes eu perguntei qual seria a melhor forma de te conhecer ou de me fazer conhecer, qual seria a melhor colocação, a que menos pudesse confundir ou simplesmente
te incomodar, te encher, às vezes nos tornamos complicados
não é fácil para mim falar agora, quer dizer, voltar a recordar se te digo que você foi minha única obsessão antes de te conhecer, você tem que acreditar em mim, se te digo que hoje você é minha obsessão você tem que acreditar em mim
seria absurdo que hoje eu tentasse perguntar além do que você pode me responder
e antes eu evitava te perguntar coisas que pudessem te chatear além do necessário...
mas hoje se trata de um vínculo, de uma história, de uma experiência humana compartilhada com toda intensidade
disso não podemos nos arrepender
se alguma coisa pode definir nossa história
foi a intensidade do compartilhado.
É verdade que eu às vezes era brutalmente possessivo
queria conhecer até seus mais íntimos pensamentos
não podia tolerar que houvesse algo que eu desconhecesse
Talvez a intensidade estivesse nesses momentos em que pensava que havia algo seu que existisse fora de nós
Esta porção de sua intimidade que eu não podia alcançar nunca me desesperava
Talvez isso eu nunca tenha podido te dizer, mas a meu favor posso afirmar que eu não o sabia, quer dizer, há muitas coisas da nossa relação que só agora eu posso compreender.
No princípio eu estava todo dominado pela obsessão de te conhecer
de me apoderar de tudo seu
de cada um dos teus interstícios
porque possuir-te não era só uma questão física, você bem sabe mas te possuir toda inteira, tua intimidade, o mais incomunicável é essa sem dúvida minha verdade de hoje.
Você há de imaginar que esse clima me impedia todo tipo de sensatez
os anos, talvez um pouco mais de amadurecimento, o tempo que tudo cura
permitiram que eu me colocasse de outra maneira frente às nossas coisas
mas é curioso, se por um lado me tornei mais sensato e compreensivo, a zona de mistério que ainda hoje não consigo desvendar me parece mais atormentadora agora do que antes
Porque antes todas nossas coisas pareciam que faziam parte do mistério.
Hoje eu posso chegar a compreender alguma coisa, me parece ainda mais incompreensível
aquilo que ainda não posso decifrar
ELA Necessidade de te contar coisas, palavras que crescem quando juntos
apesar de você e de mim
apesar de nossa história sempre tão diferente, tão horrivelmente diferente
só crescem
não por você e por mim
brotam sempre palavras onde só deveria existir o grande Silêncio das gritarias
cresce a lembrança apesar dos dois
que estranho espaço teremos inventado
que às vezes não posso deixar de te falar malgrado minha vontade...

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