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quarta-feira, 20 de março de 2013

VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA no Rio de Janeiro


O Teatro Inominável embarca para Curitiba no início de abril, para apresentar sua comitragédia VAZIO É O QUE NÃO FALTA, MIRANDA na Mostra Fringe do Festival de Curitiba. Mas, antes, ainda no Rio de Janeiro, a companhia se apresenta dentro da Pesquisa Dramaturgia Cênica, desenvolvida pela professora Rosyane Trotta na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).



As apresentações serão na Sala Roberto de Cleto, no 6º andar da Escola de Teatro. Serão apenas duas apresentações, ambas às 16h, uma na terça-feira (26) e outra na quarta-feira (27 de março). Após as apresentações, alunos do curso de Direção Teatral da UNIRIO farão um debate com diretor e atrizes de MIRANDA.

Confiram o teaser e o flyer de divulgação. E compareçam! A entrada é franca.


 

domingo, 24 de fevereiro de 2013

lembro que não tinha som ---

e no entanto, os corpos iam. dançavam, giravam, se batiam e se debatiam e de novo se colavam. mesmo distantes, os corpos dos atores se precisavam, se pediam e se machucavam. existe algo nessa dramaturgia que clama à necessidade de um ao outro. é uma cola, é invisível, mas puxa, prende e machuca. é uma fixação que não ouve, que só fala, que só grita e cospe e sacode. necessidade e fixação. fixação é algo tão morto. tão fadado ao descontentamento. lembro que não tinha trilha sonora a nossa montagem de paso de dos, mas que no entanto dançavam os dois atores. eles dançavam o vazio do silêncio.

e agora, josé? eu sei lá, eu sei lá. talvez quisesse que desse vez a dança estivesse mais presente. mas sei que isso é papo, porque não preciso ter dança para dizer teatro-dança. não preciso ter aula de dança contemporânea para mexer os corpos em cena. existe uma coisa que se chama não intencionar. talvez essa seja a principal ferramenta conquistada como diretor em alguns anos de experiência junto ao teatro inominável. sem exceder dentes, como costumo dizer, é preciso deixar que se aflore as vontades, os desejos e as manifestações de afeto. o projeto vai se dizendo e se moldando, desde que se escute sua fome.

por isso, a coisa de dançar é preciso deixar solta, perdida, sem dar a devida atenção. com o tempo, a dança vem e fica. a coisa vem e se crava. sem anteceder desejos, uma peça de teatro é menos vontade e mais contexto. eu aqui me espremendo - de leve - para, aos poucos, voltar aos projetos já feitos, mas como fênix, renascendo das cinzas. não dois. em breve, daqui a pouco, já já.

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