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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

poema verbal ---


eu aqui me perguntando qual seria o tipo de dramaturgia de não dois. é só porque nos outros espetáculos do teatro inominável, nossa investigação vai burilando um tipo específico de dramaturgia, mesmo que inventada, que parece sustentar o projeto. em miranda, nosso segundo espetáculo, estamos espreitando uma dramaturgia chamada de dramaturgia do acontecimento. em dragão, nosso terceiro espetáculo, buscamos uma dramaturgia da situação. e em sinfonia sonho, última peça criada, poderia dizer que investigamos uma dramatorgia.

mas e em não dois? o que é neste trabalho que se esconde dentro dele próprio e que não nos deixa percebê-lo? acontecimento e situação. nas outras peças. e nesta? eu começo a intuir, talvez, não sei, mas há algo que tange à imobilidade. não dois seria um drama estático a partir do momento que já acontecido. eu quero dizer, o diálogo entre ele e ela parece não ser presente. parece que eles estão o tempo todo falando sobre algo já ido, já acontecido. algo imóvel, posto fora do tempo e do espaço. tem uma fantasmagoria que me interessa, tem a tal da assepsia.

é inevitável não reencontrar certas palavras, certas opiniões já percorridas na montagem original. não há interesse direto em se afastar, o interesse agora é basicamente responder - novamente - com sinceridade, aos convites que o texto de eduardo pavlovsky (paso de dos) poderá nos fazer quando reunidos estivermos ao seu redor.

deixo uma colagem de falas da personagem ela Eu pergunto se haveria algum tipo de convicção, pelo menos nos primeiros tempos, quando nos conhecemos, nos começos. Ideias, simplesmente ideias. Pelo menos para distinguir o verdadeiro do falso. Para saber se o que você fazia tinha algum sentido, por exemplo.

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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Afastamento ---

Não Dois já está tão pronto em mim, que esta retomada pressupõe o total afastamento de tudo já conquistado.

Não vamos pelos mesmos caminhos, nem pelas mesmas escolhas, mas ao mesmo tempo, estamos livres a deixar que o mesmo se manifeste novamente. É possível. Ainda conservo em mim - fortemente - a ambiguidade do horror e do afeto. Esta dramaturgia de Eduardo Pavlovsky me presenteia com a inconstância do ser humano que oscila e oscila, sem saber se ama ou odeia. Esta complexidade, creio eu, sustenta o drama e dá sentido ao seu desbravar.

O cenário, os figurinos, a concepção. Estou disposto a perder tudo, desde que em seus lugares se anuncie a nossa nova expressão. Precisão. Não Dois talvez ainda seja um exercício de rigor e escuta, de encaixe, mais do que nunca. Um novo ator, Andrêas Gatto. Uma mesma e nova atriz, Natássia Vello. Não sabemos que tipo de engrenagem eles são capazes de construir, mas vamos testar. Vamos testar.

É um projeto pequeno, sabe? Não me assusta por nada, exceto por isso: é precioso demais, perigoso demais. Pode machucar. E fazer colar. Vamos com calma. Vamos começar. Vamos começando.